Quando traduzi As coisas da terra, de Joe Rigney, deparei-me com a citação do poema The elixir, de George Herbert. Aventurei-me a traduzi-lo poeticamente. O resultado não é obra de poeta, mas o exercício e as tentativas de manter aspectos formais do poema me fizeram pensar muito. Reproduzo abaixo a minha tradução seguida do original.
O elixir
Ensina-me, ó Deus meu e Rei,
A em todas as coisas ver-te a ti
E em tudo quanto de fazer hei
A fazê-lo como fosse para ti.
Não rudemente, como as feras,
Seguir o curso de ação;
Mas sereno fazer dedicado a ti
E levar a obra à perfeição.
Um homem olha a janela,
O olho pode ali descansar.
Ou, se quiser além dela,
Pode o céu espreitar.
Todos podem tomar parte em ti.
Nada pode ser tão disforme
Que a tintura – “por amor a ti” –
Em puro fulgor não transforme.
Um servo com essa postura
Torna sua labuta divina.
Quem varre a sala por tua lei
Faz disso uma coisa fina.
É essa a pedra famosa
Que tudo transforma em ouro,
Pois aquilo que Deus vê e toca
Não pode ser julgado com desdouro.
The Elixir
Teach me, my God and King,
In all things Thee to see,
And what I do in anything
To do it as for Thee.
Not rudely, as a beast,
To run into an action;
But still to make Thee prepossest,
And give it his perfection.
A man that looks on glass,
On it may stay his eye;
Or if he pleaseth, through it pass,
And then the heav’n espy.
All may of Thee partake:
Nothing can be so mean,
Which with his tincture—”for Thy sake”—
Will not grow bright and clean.
A servant with this clause
Makes drudgery divine:
Who sweeps a room as for Thy laws,
Makes that and th’ action fine.
This is the famous stone
That turneth all to gold;
For that which God doth touch and own
Cannot for less be told.


Do autor George Herbert só vi, na Amazon, uma obra não traduzida. O poema é belíssimo. Vai traduzir outros? Conhece alguma obra do mesmo autor traduzida? Parabéns!